Hoje acredito na bondade humana. Numa ordem do Universo. No sentido de tudo o que existe. Foi o vento que me voltou a sussurrar ao ouvido... E eu deixei-me embalar. Por isso hoje não sei onde estou. Vagueio entre o nevoeiro de mim mesma e do caminho que vejo.
Perguntei-lhe acerca de tudo o que me lembro… Mas ele apenas se riu. Penso eu que se riu, ou suspirou?... E eu deixei-me ficar. Escuto a música de tudo o que foi, do que é, do que será. Choro silenciosamente, e o meu corpo esfuma-se com cada lágrima. Agora sou tudo, sou a própria bruma. Agora não sou nada. Agora sou eu. Fundo-me no insignificante espaço de matéria que ocupo, e compreendo o encadeamento perfeito da vida.
Agradeço profundamente por mais um dia, por esta oportunidade sagrada. Amo o milagre que sou. Agradeço à Terra por tão maravilhoso lar, ao magnânime Universo pela simples imensidão.
Um dia serei somente luz, e o toque suave de cada raio curará essa ferida... Com amor.

